segunda-feira, outubro 13, 2003

Dez minutos ao acaso

Um senhor Vítor qualquer coisa, durante o jogo de futebol que o Olhanense foi vencer a Faro, resolveu despir-se, saltar a rede e entrar assim no relvado, de pirilau oscilando, a animar uma partida que não teve outros particulares motivos de interesse. Não foi detido para averiguações nem viu restringida a sua liberdade de movimentos. Pelo contrário, acaba de ver-se reconhecido com o estatuto de vedeta nacional. Há uns minutos atrás, no Herman Sic, teve direito à sua primeira actuação televisiva enquanto profissional do espectáculo. O ex-humorista, apresentando-o ao público que não tinha ido a Faro no domingo passado, garantiu, com um brilhozinho nos olhos, que «mais uma vez ia acontecer televisão». E aconteceu, embora em boa verdade não tenha acontecido grande coisa. A novel vedeta despiu-se, fez um manguito e foi aplaudido em apoteose. Depois foi anunciada a presença de Marco Paulo, e Marco Paulo entrou de microfone em riste, confirmando a ameaça, e agradeceu a Herman José o seu contributo para o sucesso do álbum que acaba de ser «disco de ouro». Abraçaram-se pela segunda vez. Acto contínuo, uma senhora de Famalicão subiu ao palco a oferecer a ambos uns ramos de flores em nome de uma senhora de que esta senhora não recordava o nome mas que era «a mãe de Vítor Paneira» e que estavam todas «muito felizes». Marco Paulo, comovido, cantou e encantou, e agradeceu a presença na plateia de «cinquenta amigos» que tinham vindo de diferentes partes do país «propositadamente» para o aplaudir e acarinhar. E que também ele estava muito feliz. E pronto. Nós também...