eu é ao contrário
preciso de crer
para ver
quinta-feira, outubro 30, 2003
quarta-feira, outubro 29, 2003
Os marsupiais saltadores
As Áreas Protegidas junto dos eucaliptos, tudo bem. Mas, já agora, importem-se cangurus para espalhar na Rede Natura.
Um adeus
Discutiam daquela forma civilizada, pedagógica, explicadinha, insuportável. Sem elevar demasiado a voz. Dizendo coisas do género: «mas não penses que a partir dessa altura a minha confiança em ti não ficou definitivamente comprometida». Falavam na rua, em Bensafrim, às 09:00 AM, quase protegidos pela esquina da Travessa que dá para o largo da Vicentina, ela num tom meio ponto acima a sublinhar um adjectivo. A trocarem frases copiadas dos compêndios de ciências sociais. Sem modulações, racionais, como se estivessem imunes à paixão e ao ódio e apenas, em vez do amor, os tocasse a erosão. Despediam-se. Era um adeus. Mas compreendia-se que não havia muito de que se despedirem. E que eles próprios sabiam que essa era a maior tristeza que lhes pesava nos ombros.
Todas as coisas
A casa à beira do rio, a manhã de névoa a erguer-se vagarosamente das águas da presa, o caminho que sobe pela encosta até ao bosque de bétulas, a chuva, o muro de pedra, as folhas do negrilho, a urze nos declives: o mundo todo.
terça-feira, outubro 28, 2003
A administração da justiça
Num jogo em que não morreu ninguém porque a estatística é grandiosa, apesar das sucessivas e bem distribuídas acções de entrada ao osso com muita fé, esperança e nenhuma caridade (como diria Duda Guenes), o senhor árbitro acabou por expulsar um jogador. Decidiu expulsar o Deco. Expulsou-o quando estava descalço, depois de perder a chuteira numa disputa de bola, e impedido, portanto, de garantir uma fractura exposta ao adversário. Está certo. Foi coerente com a sua actuação ao longo do jogo e com o estado a que chegou o nosso futebol. Só falta o sr. Guerra Madaleno ganhar as eleições e o sr. Pinto da Costa receber uma bênção de Sua Santidade ou iniciar-se o seu processo de beatificação. Mas, nada mais sendo improvável, não é certo que Madaleno ganhe as eleições.
segunda-feira, outubro 27, 2003
O candidato vermelho
O leitor, sportinguista avisado, já imaginou a felicidade que lhe iria na alma, se acaso, se pelo mais mero dos acasos, Guerra Madaleno ganhasse as eleições do Benfica? Do mal o menos, sempre podemos sorrir, já que, ao que parece, Jaime Antunes, afinal, não tem a mais pequena hipótese...
«A coceira baixa a produtividade»
A srª drª Odete Santos é agora actriz de revista. Um sujeito não-sei-quê faz de Tarzan. O ex-revolucionário Carlos Alberto Moniz faz a música. Odete Santos faz dela própria. A realidade segue dentro de momentos.
A tempestade
Era no tempo em que a indecisão e
o poder caminhavam juntos
e a trepadeira do sono floria exuberante nas
primeiras páginas dos jornais diários.
A própria sombra atava os seus próprios
nomes à mais alta torre.
As crianças esperavam impacientes que os
croissants e as sondagens da manhã
permitissem a circulação dos
transportes públicos a caminho da escola.
Primeiro o ábaco difícil, depois a água a subir
nas margens de barrancos sem regra,
a pronúncia divisória, a chuva
nas janelas de casa, a tempestade.
o poder caminhavam juntos
e a trepadeira do sono floria exuberante nas
primeiras páginas dos jornais diários.
A própria sombra atava os seus próprios
nomes à mais alta torre.
As crianças esperavam impacientes que os
croissants e as sondagens da manhã
permitissem a circulação dos
transportes públicos a caminho da escola.
Primeiro o ábaco difícil, depois a água a subir
nas margens de barrancos sem regra,
a pronúncia divisória, a chuva
nas janelas de casa, a tempestade.
Depois da tempestade
Depois da tempestade era preciso recolher os
destroços e organizar as defesas. Vieram então à
linha de rebentação os economistas com
suas pranchas de surf e seus inúmeros gráficos.
Ajudantes de campo com sua álgebra e seus
logaritmos impressos vagueavam à distância
repetindo nos átrios encerados, uma a uma, as
sombras dos portões das fábricas e dos
armazéns das periferias. Guardas fiscais com
seus impermeáveis cinzentos e sapatos de chuva
mediam os alçados dos edifícios alienáveis
e contavam pelos dedos subindo ligeiramente
contra o lábio superior a língua humedecida nos
labores do cálculo. Os namorados à procura do
primeiro emprego gostavam de mostrar em
público que sabiam tocar-se mutuamente
em esquadria, numa rigorosa aritmética.
destroços e organizar as defesas. Vieram então à
linha de rebentação os economistas com
suas pranchas de surf e seus inúmeros gráficos.
Ajudantes de campo com sua álgebra e seus
logaritmos impressos vagueavam à distância
repetindo nos átrios encerados, uma a uma, as
sombras dos portões das fábricas e dos
armazéns das periferias. Guardas fiscais com
seus impermeáveis cinzentos e sapatos de chuva
mediam os alçados dos edifícios alienáveis
e contavam pelos dedos subindo ligeiramente
contra o lábio superior a língua humedecida nos
labores do cálculo. Os namorados à procura do
primeiro emprego gostavam de mostrar em
público que sabiam tocar-se mutuamente
em esquadria, numa rigorosa aritmética.
domingo, outubro 26, 2003
E, de súbito,
a luz do farol, de seis em seis segundos, cortando a noite num movimento rápido, erguida contra a chuva e esse manto de cinza que desce do céu e sobe do mar, volta a fazer sentido.
sábado, outubro 25, 2003
Assim dá gosto
«Já o sol atingia a linha do horizonte e começava a mergulhar no mar quando os mouros chegaram às naus, que acabavam de ancorar». Este é o resumo da primeira estrofe do Canto II d’Os Lusíadas, na versão do Expresso. A rima é um bocadinho pobre, mas a musicalidade está garantida: «se o que procuras são as mercadorias orientais, a canela, o cravo, a pimenta, ervas medicinais...» O original que se cuide...
Mas não é só a musicalidade... Mesmo quando Camões parece menos inspirado («Quais para a cova as próvidas formigas,/ Levando o peso grande acomodado»...), os comentários que acompanham cada uma das oitavas não abdicam da originalidade e da vivacidade das imagens: «Do mesmo modo que as previdentes formigas levam grandes pesos para as suas covas»...
É verdade que a ortografia não sai muito bem tratada: ha, apostolos, tambem, ceus, conclue, saiem, àgua, maguada, têem, quizeram... Mas o caso não é grave, numa edição que se pretende didáctica...
Mas não é só a musicalidade... Mesmo quando Camões parece menos inspirado («Quais para a cova as próvidas formigas,/ Levando o peso grande acomodado»...), os comentários que acompanham cada uma das oitavas não abdicam da originalidade e da vivacidade das imagens: «Do mesmo modo que as previdentes formigas levam grandes pesos para as suas covas»...
É verdade que a ortografia não sai muito bem tratada: ha, apostolos, tambem, ceus, conclue, saiem, àgua, maguada, têem, quizeram... Mas o caso não é grave, numa edição que se pretende didáctica...
sexta-feira, outubro 24, 2003
Um estranho rumor
Já aqui se falara dela, dessa voz que espalha um estranho rumor de cumplicidades, dessas canções que deixamos de ouvir apenas para que, por um instante, o vento lá fora nos confirme que a noite não se perdeu ainda nos seus fios trémulos. E que depois ouvimos de novo por suspeitarmos que foi apenas para nós que alguém escreveu esta música. Que foi apenas para nós que alguém acendeu esta luz vagarosa. Que foi apenas para nós que alguém trouxe de longe a folha em forma de coração, com suas nervuras intactas, guardada nas páginas velhas de um herbário. Que foi apenas para nós que alguém se perdeu entre a chuva da península e os seus caminhos junto ao mar.
Carla Bruni: «quelqu’un m’a dit»:
Quand j’aurai tout compris, tout vécu d’ici-bas,
Quand je serai si vieille, que je ne voudrai plus de moi,
Quand la peau de ma vie sera creusée de routes,
Et des traces et de peines, et de rires et de doutes,
Alors je demanderai juste encore un minute...
Carla Bruni: «quelqu’un m’a dit»:
Quand j’aurai tout compris, tout vécu d’ici-bas,
Quand je serai si vieille, que je ne voudrai plus de moi,
Quand la peau de ma vie sera creusée de routes,
Et des traces et de peines, et de rires et de doutes,
Alors je demanderai juste encore un minute...
quinta-feira, outubro 23, 2003
As aves da Directiva
Conta-se que, na fase descendente do partido, vendo chegar Hermínio Martinho e três camaradas, alguém comentou com um amigo: «Aí vêm as cúpulas do PRD». E que o amigo acrescentou: «As cúpulas e as bases...» Mas a estes ainda os eleitores podiam pedir responsabilidades políticas, mesmo quando já pouco distinguia a direcção do partido e a respectiva base sociológica. Com «Os Verdes» o caso é diferente: eles são uma voz na Assembleia da República preocupada com as questões ambientais e da conservação da natureza? Sim, quando as suas posições sobre questões ambientais e da conservação da natureza não conflituam com a agenda política ou os interesses estratégicos do Partido Comunista. O problema é que as aves migratórias (e isto é só um exemplo) às vezes escolhem países progressistas para a hibernação. Nesse caso, até onde vai a capacidade dos Verdes para discutir programas de conservação das espécies da Directiva?
Contra factos...
Jaquinzinhos digna-se explicar à plebe o bê-a-bá da «Evasão Fiscal, Offshores e Coisas Afins». Tão límpida é a prosa, tão escorreita, tão arrumada, tão encadeados os raciocínios, que mesmo os menos versados em economês compreendem sem dificuldades o cerne da questão: os ricos pagam na íntegra os impostos que a lei exige, e se não pagam mais é porque utilizam «as faculdades legais ao seu dispor para pagarem menos», e a isso chama-se «planeamento fiscal» (os bancos, por exemplo, pagam pouco de IRS apenas «porque a lei o permite», nomeadamente «através do tratamento fiscal diferenciado de vários produtos financeiros»); os pobres, por sua vez, fogem dos impostos como o diabo da cruz. A eles, portanto, a crise obviamente se deve.
Tudo isto já sabíamos, mas assim explicadinho é outro asseio...
Tudo isto já sabíamos, mas assim explicadinho é outro asseio...
quarta-feira, outubro 22, 2003
F1
Não pude resistir a responder ao post do Zé Carlos sobre a Fórmula 1. No meu caso, descobri-a antes do futebol; a paixão pelos automóveis nasceu em memórias de corridas de automóveis disputadas junto à Fortaleza de Luanda e nas 6 Horas de Nova Lisboa, ambas em Angola, anos antes da independência. O meu pai, trabalhando para o importador da BMW, da NSU, da Autobianchi e da Skoda, tinha acesso a bons lugares no paddock e a azáfama que ali se vivia, contagiou-me de forma indelével. Durante anos, alimentei o sonho de poder vir um dia a disputar provas, ser um deles, sonho esse que foi adiado até ao dia em que decidi prestar provas no autódromo do Estoril. Salvo erro, na altura, as provas eram para o troféu Renault 5 GT Turbo e o vencedor tinha direito a disputar uma época totalmente patrocinada. Um 5º lugar entre 100 candidatos não foi suficiente e por isso demandei, no Verão seguinte, os testes de Fórmula Renault no circuito de Paul Ricard, Sul de França. Uma viagem a sós, partilhada com um Ford Cortina, evitando as caras (para o bolso de um estudante) auto-estradas do Sul de Espanha e França, com dormida em parques na auto-estrada e Parques de Campismo foram a melhor aventura para este vosso escriba durante muito tempo. Apenas chegado, uma desilusão; nessa tentativa fiquei para trás do top ten entre cem candidatos, pelo que o sonho acabou nesse dia. Enfim, restava outra paixão, a que me dediquei e, anos volvidos, me dedico.
Dito isto, não quero entrar na querela acerca de quem terá sido o maior piloto de todos os tempos. Direi que vi grandes estrelas (como Shumacher, Senna, Prost, Lauda, Piquet, Mansell, Stewart), vi pilotos que foram grandes promessas (casos de Villeneuve, Alesi, Berger, Peterson, Pironi, Alboretto, de Angelis) mas que nunca foram campeões e vi campeõµes fracos e sem qualquer carisma (o que julgo serem os casos de Hunt, Schecketer, Rosberg, Jacques Villeneuve, Damon Hill e Hakkinen). No presente, destacaria Button, Raikkonen, Alonso e Button como pilotos do futuro, o finlandês de longe o mais competitivo. Montoya será uma incógnita, mas não me parece suficientemente estável emocionalmente para poder ser um dia campeão. Contudo, Mansell também não o foi durante muito tempo e bastou uma vitóriaria frente a Rosberg em Kyalami, no ano de 1985, para tudo mudar no perfil psicológico do homem e do piloto.
Todavia, perdoe-meo leitor, mas com tudo o que há de subjectivo nestas apreciações, o meu coração penderá sempre para um único homem, que alimentou e alimenta ainda o sonho de milhares de admiradores da F1, anos volvidos após a sua morte. Enzo Ferrari, no livro em que fala das suas má¡quinas e dos seus homens - Ferrari piloti, che gente - leva-nos ao epicentro das sensações. Ali, percebemos que Gilles Villeneuve é o filho que substituiu Dino após o seu desaparecimento prematuro e a morte de Gilles levou igualmente parte da sua existência. Percebi a mística da scuderia muito cedo, e desde sempre torci pela Ferrari, independentemente de quem fossem os seus pilotos. Assim, detestei e adorei Prost, detestei e adorei Mansell, e tenho pena que Senna nunca se tenha predisposto a fazer o que Schumacher fez nos últimos seis anos. Hoje, nove anos volvidos após a morte de Ayrton, noto que me fez falta torcer por Senna; à scuderia e a mim falta-nos isso no passado. Como falta me fez o campeonato de 82, perdido na luta fraticida entre Pironi e Villeneuve. Ambos, como Alboretto, estão mortos pelo sonho. Villeneuve, último piloto a morrer ao volante de um Ferrari será todavia sempre o maior, porque Enzo Ferrari quis que assim fosse. Assim se cumpra o legado do Comendador.
Dito isto, não quero entrar na querela acerca de quem terá sido o maior piloto de todos os tempos. Direi que vi grandes estrelas (como Shumacher, Senna, Prost, Lauda, Piquet, Mansell, Stewart), vi pilotos que foram grandes promessas (casos de Villeneuve, Alesi, Berger, Peterson, Pironi, Alboretto, de Angelis) mas que nunca foram campeões e vi campeõµes fracos e sem qualquer carisma (o que julgo serem os casos de Hunt, Schecketer, Rosberg, Jacques Villeneuve, Damon Hill e Hakkinen). No presente, destacaria Button, Raikkonen, Alonso e Button como pilotos do futuro, o finlandês de longe o mais competitivo. Montoya será uma incógnita, mas não me parece suficientemente estável emocionalmente para poder ser um dia campeão. Contudo, Mansell também não o foi durante muito tempo e bastou uma vitóriaria frente a Rosberg em Kyalami, no ano de 1985, para tudo mudar no perfil psicológico do homem e do piloto.
Todavia, perdoe-meo leitor, mas com tudo o que há de subjectivo nestas apreciações, o meu coração penderá sempre para um único homem, que alimentou e alimenta ainda o sonho de milhares de admiradores da F1, anos volvidos após a sua morte. Enzo Ferrari, no livro em que fala das suas má¡quinas e dos seus homens - Ferrari piloti, che gente - leva-nos ao epicentro das sensações. Ali, percebemos que Gilles Villeneuve é o filho que substituiu Dino após o seu desaparecimento prematuro e a morte de Gilles levou igualmente parte da sua existência. Percebi a mística da scuderia muito cedo, e desde sempre torci pela Ferrari, independentemente de quem fossem os seus pilotos. Assim, detestei e adorei Prost, detestei e adorei Mansell, e tenho pena que Senna nunca se tenha predisposto a fazer o que Schumacher fez nos últimos seis anos. Hoje, nove anos volvidos após a morte de Ayrton, noto que me fez falta torcer por Senna; à scuderia e a mim falta-nos isso no passado. Como falta me fez o campeonato de 82, perdido na luta fraticida entre Pironi e Villeneuve. Ambos, como Alboretto, estão mortos pelo sonho. Villeneuve, último piloto a morrer ao volante de um Ferrari será todavia sempre o maior, porque Enzo Ferrari quis que assim fosse. Assim se cumpra o legado do Comendador.
O piloto de testes
Anda uma discussão interessante no BdE sobre Fórmula 1 e os seus mitos. Sobre Fangio, sobre o êxtase de ver Alain Prost cortar a meta em primeiro lugar, sobre o virtuosismo muitas vezes sem cálculo de Nigel Mansell, sobre os excessos de Montoya, sobre Gilles Villeneuve, esse «rei sem trono». Tudo isto, claro, a propósito do «hexa» de Schumacher: o piloto alemão é ou não o melhor de sempre? De acordo com o meu amigo J. M Dantas, que não subscrevo senão no elogio final, uma geração com um Schumacher num Ferrari é um Renault impotente; o Schumacher nasceu para provar que nem todos os que são campeões sabem ser campeões; não se compreende como há ainda quem lhe lave a roupa; apesar de tudo, Michael Schumacher «é o melhor piloto de testes de toda a história da Fórmula 1»...
terça-feira, outubro 21, 2003
A Calábria em Portugal
A Calábria é uma das regiões do Sul de Itália que se estende entre o "calcanhar" e o meio da "bota". É uma das regiões mais pobres e, talvez por isso, daquelas acerca das quais menos se ouve falar.
Portugal, naquelas paragens, é muito longe, mas entre uma e outro há inúmeros pontos de contacto para além da latinidade, a começar pelos ingredientes básicos da gastronomia. Como os Portugueses, os Calabreses não desdenham uma boa refeição, sendo igualmente conhecidos pela sua inclinação para a boa e farta cozinha.
Talvez por isso, mas não apenas por isso, um calabrês decidiu aterrar no Algarve não para fazer pizzas mas unicamente comida calabresa, e ainda por cima com gosto caseiro, servida em toalhas aos quadrados e simpatia a rodos, coisa que não constava do panorama. Já há alguns meses a esta parte, o Grissini, casa sem pretensões, mas digna de nota, localizada na rua dos Correios, em Almancil, tornou-se ponto de paragem obrigatório para os apreciadores do género. Recomenda-se uma visita, sem pressa, que o tempo, ali, passa devagar.
Portugal, naquelas paragens, é muito longe, mas entre uma e outro há inúmeros pontos de contacto para além da latinidade, a começar pelos ingredientes básicos da gastronomia. Como os Portugueses, os Calabreses não desdenham uma boa refeição, sendo igualmente conhecidos pela sua inclinação para a boa e farta cozinha.
Talvez por isso, mas não apenas por isso, um calabrês decidiu aterrar no Algarve não para fazer pizzas mas unicamente comida calabresa, e ainda por cima com gosto caseiro, servida em toalhas aos quadrados e simpatia a rodos, coisa que não constava do panorama. Já há alguns meses a esta parte, o Grissini, casa sem pretensões, mas digna de nota, localizada na rua dos Correios, em Almancil, tornou-se ponto de paragem obrigatório para os apreciadores do género. Recomenda-se uma visita, sem pressa, que o tempo, ali, passa devagar.
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