Deixa-me oferecer o meu peito ao vento
para que o ar glacial te não atinja
.
Trémulo,
hei-de soerguer-me das cinzas do vulcão
e do magma que me soterrou
.
Nada mais há neste lado do meu mundo
que as cores do passado que viveram
no teu rosto
.
Parte.
eis-me a Sul de Sul algum
segunda-feira, janeiro 31, 2005
domingo, janeiro 30, 2005
A partida
Queres partir
sem olhar para trás nem para o que fica,
abandonas-me,
a mim e a ti,
ao que semeaste [semeámos] dias a fio
às noites sem dormir, às insónias!
e à dor,
procuras uma resposta nas estrelas
esqueces-te do que há dentro do teu coração
e do meu
como se o aviltamento do silêncio
por si só, sem mais,
justificasse toda a dor de uma partida.
.
Vai, se tens de partir,
se é maior a mágoa
que tudo o mais com que sonhas,
e sentes que no meu coração
não há lugar para o teu ser...
Vai, mas por favor abandona-me a tua mágoa,
.
Porque não quero a tua dor,
antes purificar-me
e criar raízes no teu pesar,
alimentar-me do amor
que não pôde, dentro de ti, crescer
deixa-me!
.
Se tens de partir,
mas apenas por ti...
Teias
Os amantes choram,
desperdiçam as palavras
em manifestações de mágoa sentida
turvam os sentimentos
em inseguranças desmedidas
sensatas? razoáveis?
verdadeiras!
Hei-de ter a força
que te libertará de tamanhas teias...
desperdiçam as palavras
em manifestações de mágoa sentida
turvam os sentimentos
em inseguranças desmedidas
sensatas? razoáveis?
verdadeiras!
Hei-de ter a força
que te libertará de tamanhas teias...
sexta-feira, janeiro 28, 2005
Freitas volver
Freitas do Amaral anunciou publicamente que em consciência os portugueses devem votar PS nas próximas eleições legislativas. O Indy não gostou e, sob o título "esquerda volver", aplicou-lhe uma "batata" de palhaço no nariz. Freitas tem o direito de emitir as suas opiniões, evidentemente. O que seria importante saber neste momento é se para o PS Freitas é ministeriável, antes de o podermos levar a sério e julgar sobre a justiça da sua "batata".
Vo(l)ta Pedro
Santana Lopes anunciou a sua intenção de processar as empresas de sondagens. Tem razão, não há vencedores nem vencidos antecipados em democracia, por isso esta é uma forma inadmissível de se ganhar a vida. Evidentemente, aguardamos que a seguir venha o anúncio de que serão igualmente processados os jornais, as rádios e as televisões que ousarem divulgar qualquer sondagem que não lhe dê vitória. Ah, claro, e que se acabe de uma vez por todas com a absurda liberdade de imprensa e o direito de livre emissão de opiniões.
Novelo
Dizem que tudo tenho
que tenho coração, braços, mãos
quiça cabeça
e algo mais
mas assim será? terei!?
.
Sei que tenho fé,
força de vontade e vida
vida! e alma, de chorar
que nao arrefece [perante]
vida constrangida...
.
tenho olhos negros, atentos
iluminados pelo teu retiro
alimentados por mil lágrimas
em novelo que desato
para que derramem
e nunca mais se enredem
no teu nome
que tenho coração, braços, mãos
quiça cabeça
e algo mais
mas assim será? terei!?
.
Sei que tenho fé,
força de vontade e vida
vida! e alma, de chorar
que nao arrefece [perante]
vida constrangida...
.
tenho olhos negros, atentos
iluminados pelo teu retiro
alimentados por mil lágrimas
em novelo que desato
para que derramem
e nunca mais se enredem
no teu nome
inocência
Nessa manhãs geladas, descias o caminho branco da serra e olhavas com respeito e admiração as escarpas de xisto, sentinelas de pedra que guardavam o caminho do rio. O vapor da tua respiração era o único sinal de vida e na curva dos loendros perdia-te de vista quando te misturavas com a neblina que cobria a água já perto do moinho. Eu chegava mais cedo, destravava as rodas da moagem, abria o açude e deleitava-me com a liberdade nova das águas geladas. E mesmo nessas manhãs de frio ardente, era tudo tão simples, tão infinitamente simples, como se a inocência perdida pudesse regressar alguma vez...
quinta-feira, janeiro 27, 2005
quarta-feira, janeiro 26, 2005
Et pour cause...
Esta noite não te deixo entrar
trazes o frio, o vento, a geada
não há lugar para ti à lareira
se não deixares o Inverno lá fora
A ordem natural
tudo tem o seu lugar e ordem.
Amanhã arrisco-me a ter de engolir um sapo,
mas prometo-te que hoje teremos uma alegria
porque já a merecemos.
Para sempre
Ontem ligaste-me. A caminho do hospital. Mal te percebi. Um acidente. Ouvi imenso ruído de fundo, uma voz apressada sobrepôs-se à tua. "Não te preocupes" - disseste - "não é nada, até já". Fui ter contigo ao hospital o mais depressa que pude. Quando cheguei, estavas em tratamento, esperei, muito mais do que achei normal. Depois da operação sentei-me a teu lado na sala de cuidados intensivos. O teu coração pulsava como de costume, nas vezes em que encostei o rosto ao teu peito e o senti a bater forte. Sorri e o teu tempo da visita passou demasiado rápido. No fim beijei-te a fronte, estavas quente, talvez um pouco de febre. Nada de preocupante, asseguraram-me. Olhei-te mais uma vez, passei a minhã mão pela tua, os dedos deslizaram num toque mágico. Uma noite passou. Esta manhã cheguei e entrei sem perguntar, nem bater. Já não estavas onde te deixei. Perguntei por ti. Ninguém me soube dizer, fui empurrado para a enfermeira de turno, depois para a enfermeira-chefe, o médico e por fim o médico de piso. Não pude acreditar. Nem gritar. Partiste e nem te despediste, não nos despedimos... Uma infecção. Uma ridícula infecção cuja causa ninguém me sabe ou parece querer explicar. Partes em silêncio, sem que ninguém seja responsável, sem que a ninguém incomode a tua partida e no entanto és a pessoa mais importante do mundo para mim. Olho-te deitada no lençol de cetim. Estás séria, mas mesmo assim bonita como sempre. Faz frio. Daqui a pouco começarão a chegar as pessoas e nunca mais poderei estar só contigo. Beijo-te os lábios uma última vez e aspiro o teu perfume. Ia jurar que ainda é o teu cheiro que me penetra nas narinas; devo estar a ficar louco, mas quem não ficaria? Amo-te tanto... tantas saudades... Até breve, meu amor.
terça-feira, janeiro 25, 2005
Fresta
Um olhar fugaz
perscruta a penumbra de um leito
perdido no tempo
onde persistem vestígios de ti,
paredes fechadas, espaços vazios
.
Dentro, reboco claro,
fragrâncias no azul do meio-dia
janela aberta, voam pombas
ao sabor do vento gelado do Norte
que te enche os olhos de lágrimas
.
chegas,
empurro-te para dentro,
consumo-te, nutro-me de ti
entre soluços e suspiros
e afugento o sofrimento da alma.
A razão
Immanuel Kant (1724-1804)
"A consideração do nosso bem (Wohl) e do nosso mal (Weh) tem uma grande importância nos juízos da nossa razão prática e, no concernente à nossa natureza como seres sensíveis, tudo depende da nossa felicidade, se esta é julgada - como o exige especialmente a razão - não segundo a sensação passageira, mas segundo a influência que esta contingência tem sobre toda a nossa existência e a satisfação a seu respeito"... [O homem] "tem, pois, certamente necessidade, segundo esta disposição natural com ele conexa, da razão para considerar em todo o tempo o seu bem e mal (sein Wohl und Weh), mas possui-a, além disso, ainda para um propósito mais elevado, a saber, de não só reflectir sobre o que é em si bom ou mau (gut oder böse) - e a este respeito só a razão pura, sem qualquer interesse sensível, pode julgar -, mas ainda de distinguir inteiramente este juízo do precedente e dele fazer a condição suprema do último."
.
Immanuel Kant, Crítica da Razão Prática
Um Pouco Mais de Sul
Não podendo falar para toda a Terra direi um segredo a um só ouvido
Não podendo falar para toda a Terra direi um segredo a um só ouvido
.
O insólito aconteceu. Tinhamos pensado em reservar o anúncio da novidade para o próximo dia 1 de Abril, mas fomos coagidos a fazê-lo de imediato após a queda do Governo (razão por que não se insere um "link" para este órgão). Sim, desta vez é mesmo a sério, Um Pouco Mais de Sul depurou os "links" inexistentes, acrescentou outros (sem preconceitos discriminatórios de qualquer espécie e para confirmar isso até manteve o atalho para o Gato Fedorento sem que fosse paga qualquer comissão pela promoção gratuita), alterou RADICALMENTE o arranjo da página como o leitor facilamente notará e até dispõe de email. Fica a promessa de que havemos de tentar fazer novamente obras, embora mais comedidas, dentro dos próximos dez anos.
Férias
Preciso de férias, urgentemente. Se o leitor precisar que eu vá levar umas coisitas ali a São Tomé, disponha...
o anticiclone
[Um feroz combate de cores]
No absurdo
do mais duro momento
não podes ceder ao cinzento;
o anticiclone aparta-te
da borrasca, do mau tempo
e devolve-te o mundo.
segunda-feira, janeiro 24, 2005
mescla de cores
se fosse fácil
se os teus azuis mesclassem os meus cinzentos
e os fizessem viver
e assim também os teus rosas
o teu sangue
e o teu verde satinado
se fosse fácil
mais valia não nos termos encontrado
se os teus azuis mesclassem os meus cinzentos
e os fizessem viver
e assim também os teus rosas
o teu sangue
e o teu verde satinado
se fosse fácil
mais valia não nos termos encontrado
sexta-feira, janeiro 21, 2005
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