Certo padre, a fim de conseguir mais alguns fiéis na sua paróquia pendurou um cartaz na porta da sua igreja: "SE VOCÊ ESTÁ CANSADO DE PECAR, ENTRE!".
Alguém escreveu em baixo:
"SE NÃO ESTIVER...LIGUE-ME!
Monica/9315.6874"
Liguei, claro, antes de entrar na igreja, mas era Domingo e não havia serviço.
segunda-feira, maio 31, 2004
A partida
É melhor assim. É melhor que a partida seja dolorosa, com mágoa, sentida ou ressentida, até plena de ódio, tanto faz. É melhor uma partida em que ninguém olha para trás, em que não se sabe se é por tristeza, por raiva, por orgulho, ou apenas porque sim. É melhor assim, não haver nenhum motivo ou propósito que não o de esvaziar deliberadamente dois corações tontos. É mais fácil, infinitamente mais fácil. Tanto pior para o resto. A vida há-de continuar.
OK...
O pugilista Bento Algarvio é o mandatário regional da Juventude Socialista às eleições europeias. E garante que está preparado para pôr a direita KO. Depois dos cartões amarelos e dos apitos, o nível continua a subir. Dum lado chove, do outro troveja. Nem que as urnas estivessem abertas até às seis da manhã...
Só se perdem as que caírem no chão
Acabo de saber que o Bloco de Esquerda escolheu para frase de campanha um original «Vote em quem lhes bate forte». Sendo que são eles, exactamente, quem se prepara para bater. O slogan é acompanhado de um sugestivo rolo da massa. Já estamos em pulgas só de imaginar o primeiro round entre o padeiro do BE e o pugilista da JS-Algarve.
domingo, maio 30, 2004
[A madrugada]
A madrugada encontrava-os sempre
com os corpos misturados na pequena
luz que começava a erguer-se,
indecisa, nos cumes.
Tremiam ainda de frio
e adormeciam de novo.
Mais tarde nem
saberiam dizer onde
começavam os braços
e acabavam os ombros.
com os corpos misturados na pequena
luz que começava a erguer-se,
indecisa, nos cumes.
Tremiam ainda de frio
e adormeciam de novo.
Mais tarde nem
saberiam dizer onde
começavam os braços
e acabavam os ombros.
sábado, maio 29, 2004
Irós do mar
Numa reportagem televisiva em que se pedia às pessoas que cantassem o Hino Nacional, muitas acentuavam, com indisfarçável sentido patriótico, «as Brunas da memória». Não saberei explicar assim em meia dúzia de palavras o quanto fiquei comovido.
O dicionário
O fim do blog estava anunciado há muito. Ultimamente as actualizações eram espaçadas. Seja como for, passávamos sempre por lá à espera do milagre de mais um ou outro novo post. Para mim, a blogosfera começou com a Coluna Infame e o Blog de Esquerda. Para mim, o Pedro Mexia, o Zé Mário e o Francisco, por diferentes ou muito semelhantes razões que não vêm agora ao caso, fazem parte de uma secção (digamos assim) um bocadinho fora do mundo. Claro que não há nenhum drama em assistir ao desaparecimento de mais um blog num universo que vive também, ou essencialmente, disso mesmo: do constante desaparecimento e nascimento de moradas e lugares. Mas pronto. Umas coisas puxam as outras e juro que se não fosse a filha da puta da nostalgia (e hoje nem sequer é domingo) não tinha começado a escrever este texto.
Uma Palavra
Antes de serem um fruto, antes de amadurecerem, os al-bri-co-ques são uma palavra. A sua sonoridade mágica. Uma palavra que remete para a memória abstracta do fruto que agora colhemos da árvore.
Quanto mais me bates (mensagens SMS na Sol Music)
Amo te Goncalo deixa de ser assim. Amo-te Hugo apezar de nao me amares. O sentimento q tenho por ti é proibido, mas não faz com que ele acabe. Amo te GUI es o meu ganzado. Timotea amo te mas n aguento mais andar ctg. Joao amo te muito, deixa a BIA. Adoro sepultura é cul fixe.
sexta-feira, maio 28, 2004
Política
Percorremos o jardim, mas o meu entusiasmo não o comove. Nota que a sebe precisava de ser aparada. Lamenta-se de ninguém ter dado ao catapereiro uma poda de formação. Passa insensível diante dos belíssimos exemplares de viburno e de madressilva. Insiste na diferença que faria uma poda topiária com formas geométricas. Mas sobretudo não lhe agrada que os arbustos cresçam assim, desmesuradamente, sem ordem, sem regra, sem disciplina. Não falámos de política. Mas fiquei com a certeza de saber em quem vai votar nas europeias. E foi a minha vez de não me sentir comovido.
quinta-feira, maio 27, 2004
A noite...
Deito-me a teu lado. Ouço a tua respiração compassada no silêncio da noite, o bater das badaladas do relógio do campanário chamam-me à realidade, hora após hora, inexoravelmente, até ser outra vez dia. Longamente, a noite escorrega enquanto dentro de mim ecoa novamente o peso forte de cada palavra. Hoje é mais um dia, um dia a mais. Apenas outro, tanto faz, desculpa, mas já sabes.
Objecto de culto
Um Aston Martin DB9 coupé em verde-escuro metalizado, com interior em couro Connolly bege claro. Não interessa verdadeiramente o que se queira incluir na lista dos extras, aparte os estofos a condizer. Este é o verdadeiro preço do pecado, para quem o queira cometer.
Pois...
Em bom rigor, porque a isso me obriga o fair-play, abdico do meu sono, do meu precioso sono, para aqui vir ainda hoje dar os parabéns ao Porto, aos seus adeptos e aos que com eles e por eles sofreram.
A privada é outra limpeza
Assim é diferente. Já podiam ter avisado mais cedo. Claro que não é muito animador saber que na função pública, pago pela tabela, não se topou ninguém com competência para o cargo. Mas se o sr. Director da Colecta trabalha por seis, calo-me.
quarta-feira, maio 26, 2004
Os azuis
Um amigo meu observava o céu esta manhã e dizia, não sem uma certa razão, que hoje é tudo azul: o fêquêpê, o saco do Cruz da Silva, as contas do Arnault, as faltas injustificadas dos deputados, a viagem adiada de Durão... enfim, o delírio nacional elevado ao seu expoente máximo!...
Temo que se por fatal azar o Porto ganhar a taça, alguém haverá que se atreva mesmo a sugerir a substituição do sangrento encarnado ou do esperançoso verde da bandeira nacional pelo azul-anta.
Temo que se por fatal azar o Porto ganhar a taça, alguém haverá que se atreva mesmo a sugerir a substituição do sangrento encarnado ou do esperançoso verde da bandeira nacional pelo azul-anta.
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